DATA

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Capitalismo em Ordem: o novo papel do administrador em uma visão humanista.

Quando John Mackey, cofundador do Whole Foods, escreveu Capitalismo Consciente, ele desafiou a visão clássica da missão do administrador de maximizar o valor do acionista. Essa perspectiva, defendida por Milton Friedman, parte da ideia de que o empreendedor, ainda que movido por puro egoísmo, gera um bem maior para a sociedade por meio da criação de empregos, do pagamento de impostos e do aumento da prosperidade geral. Contudo, essa visão reduz o papel do administrador à função de maximizar retornos financeiros para apenas um dos interessados: o acionista. As críticas a esse modelo concentram-se, sobretudo, na lógica do “lucro pelo lucro”, desprovida de propósito maior.

O Capitalismo Consciente, por sua vez, propõe uma reformulação: o chamado capitalismo das partes interessadas (stakeholders). Nessa ótica, além de gerar valor ao acionista, cabe ao administrador atender também às demandas de clientes, fornecedores, funcionários, sociedade e meio ambiente — categorias hoje institucionalizadas pela agenda ESG. Ainda assim, tanto a visão Clássica quanto a do Capitalismo Consciente mantêm o objeto da missão fora do administrador, deslocando o centro de gravidade para expectativas externas.

O Capitalismo em Ordem rompe com esse paradigma. Ele propõe que o primeiro compromisso do administrador seja com sua própria realização interior. Antes de organizar a empresa, o mercado ou a sociedade, o administrador precisa organizar a si mesmo e alcançar sua ordem interna. Em outras palavras, o homem é recolocado no centro como fundamento da prosperidade.

Essa ideia de ter o indivíduo como fundamento encontra ressonância na encíclica Laborem Exercens, em que João Paulo II distingue o trabalho objetivo (resultados externos: produção, serviços, salário) do trabalho subjetivo, que diz respeito à transformação interior do trabalhador. É nesse campo subjetivo que se realiza a vocação humana: “comerás com o suor do teu rosto” não é apenas condenação, mas caminho de plenitude. O verdadeiro sentido do trabalho está na elevação interior, na dignidade e na grandeza pessoal que ele pode produzir. Para o administrador, isso significa que seu principal capital é ele mesmo em estado de ordem.

Eric Voegelin, o filósofo que embasa a Teoria da Ordem, acrescenta outro ponto: a desordem da modernidade nasce da ruptura da consciência com a transcendência. Quando o homem se fecha ao divino, perde a orientação do logos que sustenta a ordem do ser. A missão humana é permanecer na tensão viva entre o finito e o eterno (metaxy), mantendo-se aberto à revelação do sentido. Para o administrador, isso implica resistir a sistemas ideológicos que reduzem sua missão a finalidades técnicas ou econômicas e permanecer fiel à realidade vivida de sua vocação espiritual.

Assim, o Capitalismo em Ordem estrutura-se em quatro níveis, irradiados a partir da ordem interior do administrador:

Ordem Interna O administrador se realiza subjetivamente no trabalho. Ele ama a si mesmo — conforme o ensinamento de Cristo: “Ame o próximo como a si mesmo”. A régua do amor ao outro é o amor próprio; é daí que nasce a capacidade de inspirar, transformar e gerar valor.

Ordem Organizacional Com o eu interior organizado, o administrador pode estruturar relações humanas e funcionais equilibradas entre departamentos, promovendo uma cultura de confiança, bem-estar e sentido de propósito coletivo.

Ordem com os Mercados A organização passa a oferecer o produto certo, no preço certo, no canal certo, com uma proposta de valor clara e ética para consumidores e acionistas — sem trair princípios.

Ordem com a Sociedade e o Planeta Por fim, a empresa assume sua vocação pública e ecológica: respeito ao meio ambiente, promoção da justiça social, contribuição para a civilização.

Diferente das abordagens que veem a missão empresarial apenas como resposta a pressões externas, o Capitalismo em Ordem resgata o protagonismo interior do administrador. Em coerência com João Paulo II e Voegelin, reconhece-se que somente um homem em ordem pode gerar uma harmonia verdadeira: nas empresas, nos mercados e na sociedade, construindo assim um ambiente em que a prosperidade não é apenas possível, mas inevitável.

MAIS

ARTIGOS

Como estou jogando no espaço cobre

Como estou jogando no espaço cobre “Os mercados de alta nascem no pessimismo, crescem no ceticismo, amadurecem no otimismo e morrem na euforia” John TempletonO vídeo do Robert Friedland, um megaempresário desbravador de mercados, tipo Indiana Jones, foi visto por milhares de pessoas nas primeiras semanas desde que foi postado.

LEIA MAIS »
Moses and the tables of the Act. Painting by Philippe De Champaigne (1602-1674) Ec. Flam.

O 11º mandamento e o modelo societário do Fundo Order

Se Moisés tivesse escrito o décimo primeiro mandamento, este deveria ser: “não terás tudo nessa vida”. Estamos acostumados a fazer o trade-off clássico. Se pretendemos emagrecer, abrimos mão do açúcar e das porções fartas. Se queremos ficar fortes, dormimos menos para ir cedo para a academia, etc. O modelo societário

LEIA MAIS »

Valor Econômico: Privalia vende operação no Brasil para OrderVC

Por Helena BenficaValor Econômico28 de janeiro de 2026 A Privalia, maior outlet virtual de moda do país, anunciou nesta quarta-feira (28) a venda do controle da operação brasileira para o fundo Order VC, segundo informações obtidas com exclusividade pelo Valor. O valor da transação não foi divulgado. No Brasil há

LEIA MAIS »

Entre em contato

RUA ANTONIO SINGER, 200.
SÃO JOSÉ DOS PINHAIS. PARANÁ. BRASIL.
CEP 83.090-362