Como estou jogando no espaço cobre
“Os mercados de alta nascem no pessimismo, crescem no ceticismo, amadurecem no otimismo e morrem na euforia” John Templeton
O vídeo do Robert Friedland, um megaempresário desbravador de mercados, tipo Indiana Jones, foi visto por milhares de pessoas nas primeiras semanas desde que foi postado. Friedland está há 30 anos desenvolvendo 3 projetos de mineração na África, dois no Congo e um na África do Sul. No final de 2025, as minas começaram a operar ao mesmo tempo que a demanda por cobre se mostra superaquecida. O mercado do cobre está bem pressionado por causa de mudanças estruturais no consumo que vão desde transição energética, solar, eólica, veículos elétricos e data centers. Soma-se a isso a entrada de mais de um bilhão de pessoas no mercado de consumo, usando geladeiras, computadores e celulares. Tudo isso vai demandar muito, mas muito mais cobre do que o consumo corrente.
Os preços do cobre serão pressionados por essa demanda. Mas, mais importante do que isso, serão pressionados pela restrição de oferta. Depois de mais de dez anos de preços baixos, que desestimularam novos investimentos em capacidade, a restrição apareceu. Uma mina de cobre, para entrar em operação, desde licenças ambientais até licenças de operação e investimento em equipamentos e estrutura, tem levado cerca de 15 anos na conjuntura atual.
O livro Capital Returns, de Edward Chancellor, administrador da tradicional gestora Marathon Asset Management, mostra como o ciclo do capital pelo lado da oferta afeta os retornos dos investimentos.
A maioria dos analistas é obcecada pelo lado da demanda: crescimento de mercado, TAM e tendências de consumo. Chancellor argumenta que a oferta, ou seja, o capital investido ou a investir, é muito mais previsível e o principal driver de lucratividade no longo prazo. Preços baixos geram baixo retorno e afastam investimentos. A escassez de capital reduz a oferta, o que provoca aumento de preços e recuperação dos retornos.
Teoricamente, todas as mineradoras de cobre serão beneficiadas. Escolher as que vão performar melhor entre as mais de 60 listadas em bolsa é onde a porca torce o rabo.
Dividi o investimento em cobre em 1/3 nas grandes corporações (FCX e IVPAF), 1/3 nas médias empresas (TGB e LUNMF) e o restante nas juniors. Nestas, embora tenham um risco mais elevado, elas também têm um potencial muito maior de valorização, na minha expectativa de 10x a 20x o valor investido nos próximos 5 anos.
Na minha vida empresarial aprendi a admirar as pessoas que encostam o umbigo no balcão e fazem acontecer. Um empresário que admiro há muito tempo é Frank Giustra (você pode ler mais em frankgiustra.com) Ele começou em banco de investimentos no Canadá, chegou à presidência, vendeu, ganhou dinheiro e se aventurou como empresário, fundando a Lions Gate, um estúdio de filmes. Vendeu e voltou a fazer o que sempre fez como banker: financiar e apoiar mineradoras juniores.
Giustra é o principal acionista da Copper Giant Resources Corp., ticker CGNT, listada na Bolsa do Canadá. A empresa possui uma reserva enorme na Colômbia, ainda em fase de estudo de viabilidade e estruturação de capital para o desenvolvimento do projeto, que é justamente a especialidade dele. Aposto que vai fazer bem.
Outro empresário que admiro é Jason Jessup. Ele começou a carreira como geólogo de mina subterrânea. Passou anos no buraco, conhecendo galerias e rampas. Como CEO da FNX, levou a empresa de CAD 0,29 para CAD 35,00. Vendeu, ganhou dinheiro e lançou sua própria empresa, Magna Mining Inc., ticker NICU, também listada na Bolsa do Canadá.
Nas juniors, o papel do empreendedor é mais importante que o projeto inicial; trata-se de apostar mais no jockey do que no cavalo. Como diz Friedland, precisamos extrair, nos próximos 18 anos, tudo o que foi extraído nos últimos 10.000 anos.
PS: o cenário muda, os preços mudam e eu mesmo mudo de opinião. Faça sua própria diligência e boa sorte.


