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A importância da alocação de capital na performance do CEO

No fim das contas, um CEO sempre deve ser avaliado pelo valor criado sob a sua liderança. Mas, para criar valor, um CEO precisa cumprir muitos papéis. Dentre os mais importantes estão apontar um norte, ou seja, criar uma visão de futuro para a empresa, executar essa visão com excelência operacional e saber realizar uma alocação eficiente de capital.
Não dominando as duas primeiras tarefas, o CEO até pode comprar uma visão de terceiros para a empresa, herdar uma visão do antigo CEO ou mesmo uma visão que venha do Conselho. Na execução, ele também pode contratar um executivo como COO para entregar excelência operacional. A alocação de capital, no entanto, está no âmago da função. Trata-se de uma escolha, entre tantas, que o CEO não conseguirá repassar a terceiros.
A alocação de capital não é apenas uma ferramenta na caixa de ferramentas da administração. A alocação é, ela mesma, uma caixa de ferramentas, com muitas opções à disposição do CEO.
Para levantar o capital demandado pela empresa, o administrador pode acessar: (a) a geração de caixa livre; (b) a tomada de novos empréstimos; (c) a venda de marcas ou outros bens da empresa; e (d) aportes de capital dos sócios.
A aplicação do capital pode seguir cinco alternativas: (a)investimento orgânico, ou seja, na própria operação; (b)investimento inorgânico, isto é, a aquisição de operações de terceiros; (c)pagamento de dívidas; (d)pagamento de dividendos; e (e)recompra de ações de sua própria emissão.
Por exemplo, o CEO pode decidir mudar para uma sede melhor, mas que pode não gerar nenhum retorno. Pode também cair na tentação de comprar um concorrente que não tenha nenhum fit cultural ou sinergia estratégica, transformando a aquisição em uma destruidora de valor.
Todos na comunidade empresarial acompanham as agruras em que se meteu o empresário de sucesso Rubens Ometto. A Cosan enverga-se sob um excesso de dívidas após uma aventura desnecessária para tomar o controle da Vale. Negócios intensivos em capital não aguentam desaforos.
Por outro lado, a antiga Multilaser realizou um IPO de sucesso, trazendo bilhões de reais para o caixa da empresa e de seus sócios. Sem nenhuma dívida e com dinheiro em caixa, a empresa chegou a valer mais de R$ 9 bilhões na bolsa. Após acumular erros repetidos na alocação de capital, porém, viu seu valor ser destruído em cerca de 90% desde o ponto máximo.
Nesses dois exemplos, à primeira vista, parece que a dívida destrói valor e que o excesso de capital também é negativo. Na verdade, trata-se do mesmo problema: a má alocação de capital. Em ambos os casos, a liderança falhou nessas escolhas.
Olhando de longe, sem as informações do decisor, parece que Rubens caiu na tentação do ego e das promessas palacianas para tomar a Vale. Alexandre, por sua vez, pode ter se distraído com o excesso de liquidez. O resultado colhido foi terrível para dois bons empresários, reforçando o dito popular: “o mercado não tem coração”.

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