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A reunião de Davos e o rally do ouro

A reunião em Davos foi marcada pela confusão da Groenlândia, mais uma do estabanado presidente dos EUA. Todas essas agressões de Donald Trump, ora contra os inimigos, ora contra seus aliados históricos, aumentam a desconfiança nos EUA como líder do mundo ocidental.

Essa insegurança internacional estimula os países a buscarem alternativas para aplicação das suas reservas internacionais para além do dólar americano. Uma parte vai para outras moedas, como franco suíço ou iene japonês; uma pequena parte vai para moedas digitais, mas a maior parte está indo para o ouro.

Para piorar o ambiente de insegurança jurídica internacional, lembremos dos eventos da guerra da Rússia contra a Ucrânia. O Ocidente resolveu sancionar e congelar os bens dos bilionários russos, mesmo aqueles que já haviam imigrado para outros países. Tal arresto de bens ocorreu sem acusação, julgamento ou sentença, quebrando uma tradição no mundo jurídico ocidental e causando medo em milhares de investidores estrangeiros com divergências políticas em relação aos EUA. Uma moeda que se propõe reserva internacional não pode perseguir inimigos políticos. Isso traz consequências: a fuga do dólar como reserva de valor.

A queda do Muro de Berlim abriu a fase histórica da globalização. Essa era chegou ao fim. Uma nova ordem mundial está sendo construída a partir dessa desglobalização. Se a fase anterior apresentou um ganhador claro, a China, essa nova fase da história ainda não mostrou os ganhadores nem os perdedores. O que parece, à primeira vista, é que certamente haverá uma perda de importância dos EUA no cenário mundial. O que Trump está tentando fazer é segurar uma posição que já não se sustenta mais por si só. As atitudes belicosas do presidente Trump aumentam a desconfiança no dólar americano como porto seguro de reserva internacional. A riqueza vai, e deve, procurar outros portos.

A condição descrita acima sustenta uma alta secular para o ouro. E, como a prata tem relação com o ouro, a prata também entrou em uma alta estrutural que pode durar muitos anos.

Esses acontecimentos reforçam a tese de que estamos entrando em um superciclo das commodities. Teoricamente, primeiro sobem os metais preciosos, depois os metais básicos e, finalmente, a energia.

Eu, como investidor, estou posicionado em mineradoras de prata e ouro. Ao começar a olhar para os metais básicos, deparei-me com uma joia abandonada pelo mercado: a Nexa Resources, uma empresa brasileira controlada pelo grupo Votorantim, com capital aberto na Bolsa de Nova York. A Nexa é um dos maiores produtores globais de zinco e também um relevante produtor de prata. Como a prata é extraída como subproduto do zinco, ela possui uma estrutura de custo particularmente atrativa dentro do portfólio da companhia. Esse perfil operacional cria alavancagem natural ao ciclo dos metais, especialmente em um ambiente de valorização estrutural das commodities.

O zinco, assim como outros metais básicos, já começou a se beneficiar desse novo ciclo de commodities. Empresas ligadas a ativos reais e produção de recursos naturais tendem a recuperar protagonismo em ambientes de escassez relativa de oferta e reorganização geopolítica das cadeias produtivas.

Os investidores devem se posicionar para esse cenário de desglobalização, no qual empresas de ativos tangíveis, mercados emergentes e energia podem se valorizar de forma superior aos grandes índices de tecnologia ao longo da próxima década.

Boa sorte.

Gilberto Zancopé

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