Uma das teses de investimento mais admiradas no mundo dos negócios é a da Berkshire Hathaway. Essa tese ficou famosa por ter sido desenvolvida por Charlie Munger e reconhecida por Warren Buffett como um dos melhores conselhos de investimento que recebeu na vida.
A lógica é simples: encontrar empresas que já provaram seu modelo de negócio, entraram em uma trajetória sustentável de crescimento e passaram a criar valor contínuo ao longo dos anos. São empresas que, na minha linguagem, já subiram na curva exponencial. Outros diriam que estão no timing certo ou na fase de growth. O ponto central é o mesmo: quando uma empresa entra nesse estágio, o tempo passa a trabalhar a favor do investidor, por meio da mágica dos juros compostos. Esse compounding promove o milagre dos pães.
Observe que uma taxa composta de 30% ao ano não muda substancialmente a riqueza em 2 anos. Mas, em 20 anos, pode criar riqueza geracional. Por isso, nessa tese, pagar um preço maior na entrada não é o principal problema. Se a empresa realmente entrou na curva exponencial, a geração de riqueza tende a superar com folga o preço pago.
Essa é uma tese robusta, segura e amplamente testada. Mas não é a tese do Fundo Order. Nós procuramos empresas em desordem. Empresas que ainda não estão na curva exponencial, mas têm potencial de migrar para a ordem. Desordem não significa ausência de valor. Significa que o valor ainda está mal organizado: na operação, na cultura, no posicionamento, no canal, na governança ou na relação com o consumidor.
Entrar em ordem é o mesmo que subir na curva exponencial. A crença primordial do Fundo Order é que o bom empreendedor/administrador pode conduzir a empresa da desordem para a ordem. A performance de uma empresa não é determinada pelo destino, nem por uma árvore da vida abstrata. Ela é consequência da ação direta do administrador sobre as alavancas reais da empresa.
O administrador, ao colocar ordem em si mesmo (Ordem Interna), torna-se capaz de colocar ordem na empresa (Ordem Organizacional). A organização, ao entrar em ordem, torna-se capaz de encontrar e atender melhor o consumidor (Ordem com o Mercado). E, dessa maneira, sobe na curva exponencial.
Essa tese é a própria história do Fundo Order. A Montana era uma empresa em desordem e foi conduzida para a ordem até ser vendida. A Agres seguiu o mesmo caminho. A WAP passou por uma recuperação judicial antes de subir na curva exponencial. AtlasAgro e Acquion estão em uma transformação incrível. Todos esses exemplos mostram que é possível sair do ponto A para o ponto B quando a empresa tem boa liderança, potencial de reorganização e circunstâncias que permitem a travessia.
A vantagem dessa abordagem é encontrar um preço de aquisição muito baixo. Obviamente, os riscos também são muito mais altos. Mas, quando a transformação acontece, a criação de valor pode ser muito superior à de uma tese que compra a ordem já estabelecida. Para amenizar esses riscos, três princípios são fundamentais:
1. Não existe empresa sem empresário. Todo investimento de controle do Fundo Order precisa ter um sócio operador. A empresa não se move sozinha. Alguém precisa encarnar a ordem.
2. O segredo de ouro do turnaround é comprar uma empresa “turnaroundável”. Nem todas as almas serão salvas.
3. Um ROIC alto depende de um denominador baixo. Como o lucro tende à normalidade, a compra de um ativo barato é condição essencial para a geração de retorno extraordinário.
No site ordervc.com, é possível ler os 10 princípios de administração que ajudam o administrador a conduzir a empresa para a ordem.
Em suma, a tese central do Fundo Order é encontrar dois ativos raros ao mesmo tempo: uma empresa em desordem, mas turnaroundável, comprada a um preço muito baixo; e um administrador capaz de conduzi-la à ordem dentro das circunstâncias do possível.
Conectar esses dois ativos tem sido nosso trabalho e a nossa vocação nos últimos anos.


