
O Colosso de Rodes foi uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Ele impactou profundamente, com sua beleza, as pessoas que o viram. Mas sucumbiu às intempéries da natureza. Parece que durou apenas 54 anos. A história do Colosso também nos mostra que só o eterno é eterno. Somos finitos neste mundo, assim como tudo que nos rodeia, inclusive as empresas que amamos.
Embora saibamos disso, nos dedicamos a construir empresas para sempre. Elas serão tão longevas quanto a vantagem competitiva construída por seus administradores.
Essa analogia está no livro do Simon Kold, “On the Hunt for Great Companies”. O autor analisa as várias formas de vantagem competitiva que podem ser construídas pelas empresas. Embora Kold nunca tenha pilotado uma empresa, ele escreve desde a perspectiva do analista, acrescentando muitos insights positivos para o empreendedor.
Tendo passado a vida construindo e defendendo as vantagens competitivas de empresas, sei que elas são passageiras porque são constantemente atacadas pelos concorrentes. A imagem famosa de Warren Buffett de construir um fosso ao redor de um castelo medieval como defesa da vantagem competitiva é bem conhecida no mundo dos investimentos.
O fosso deve ser largo, profundo e, se possível, habitado por crocodilos para dificultar o ataque ao castelo.
O fato é que os concorrentes estão sempre ameaçando o castelo. E, se eles não obtêm sucesso, o tempo, a tecnologia e as preferências dos consumidores vão cumprir o papel de destruir essa vantagem competitiva da empresa, lembrando-nos da finitude do Colosso de Rodes.
Uma vantagem não citada no livro de Kold é a cultura. Na minha experiência empresarial, a cultura é o maior fosso a ser construído pelos administradores. Na Wap, principal investida do Fundo Order, o sócio Paulo define assim a sua vantagem competitiva: “nós vendemos cultura; o produto é apenas a forma pela qual monetizamos essa cultura”. Isso não quer dizer que o produto não importa, mas sim que uma cultura baseada na excelência também produzirá um produto excelente.
Os produtos são facilmente copiados pelos concorrentes, mas a cultura não. Talvez seja impossível copiar uma cultura. Aqui está um fosso difícil de ser atacado.
Bruna, outra sócia da Wap, sempre foi responsável pelas áreas de finanças, administrativo e recursos humanos. Muitas vezes fomos questionados sobre a escolha de uma pessoa com perfil mais introvertido e reservado para liderar o RH. Nossa resposta era que a principal missão do RH é ser o guardião da cultura. Bruna era a sócia que mais defendia e propagava a cultura e, por isso, acumulava essa função. Ao mesmo tempo, incentivamos ela a contratar uma pessoa no RH que soubesse amparar, acolher e dar suporte a quem necessitasse desses cuidados. Essa foi uma decisão importante para construir uma empresa com uma cultura forte.
O Fundo Order tem sua própria cultura, baseada no mantra: “não existe empresa sem empresário”. Toda investida precisa ter um sócio operador com a mentalidade do fundador. Ele cuidará da empresa como um projeto de vida, como expressão de sua vocação, imprimindo uma visão de longo prazo e ajudando a construir uma cultura duradoura.
A cultura é a vantagem competitiva real. Esse real não apenas no sentido de realidade, também no sentido de realeza. Por isso a cultura torna-se a vantagem definitiva


